A Human Rights Watch e o Departamento de Estado norte-americano emitiram a seguinte declaração:
"As forças separatistas da Abcásia perpetraram atrocidades generalizadas contra a população civil georgiana, matando muitas mulheres, crianças e idosos, mantendo-os como reféns e torturando outros...
mataram também muitos georgianos que se mantiveram no território controlado pela Abcásia...
Os separatistas lançaram um clima de terror contra a maioria da população georgiana, embora outras nacionalidades também tenham sofrido. Os chechenos e norte-caucasianos da Federação Russa aliaram-se frequentemente às tropas locais da Abcásia na perpetração das atrocidades... Os que fugiram de Abcásia apresentaram relatos credíveis dessas atrocidades, incluindo o assassinato de civis independentemente da idade ou do sexo. Os corpos recuperados do território controlado da Abcásia apresentavam sinais de torturas extensivas." Human Rights Watch de Helsínquia e Departamento de Estado, Relatórios Nacionais sobre Práticas de Direitos Humanos 1993, Fevereiro de 1994.
Em 30 de Setembro de 1993 as tropas georgianas retiraram-se passando o rio Inguri, deixando a Abcásia para trás, uma das províncias mais ricas da Geórgia.
Simultaneamente, com a evacuação das tropas georgianas, 80% da sua população civil (cuja maioria era georgianos mas incluindo também gregos, arménios e outros) foi forçada a abandonar a região. Devido a esta "guerra desconhecida", a situação da agitada região caucasiana deteriorou-se ainda mais.
Outra consequência desta guerra brutal foi a criação da designada República da Abcásia, um enclave isolado controlado pelo regime separatista violento e agressivo, não reconhecido por nenhuma organização internacional ou país do mundo.
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O edifício do Governo da República Autónoma da Abcásia foi destruído durante a queda de Sukhumi em 27 de Setembro de 1993. Centenas de pessoas foram massacradas pelos militantes da Abcásia e os seus aliados à frente do edifício.
As ofensivas de tropas da Rússia, de Apsua e do norte do Cáucaso na Abcásia foram acompanhadas por uma limpeza étnica e assassinato em massa de civis (predominantemente georgianos, mas também arménios, gregos e outros).
Homens, mulheres e crianças foram executados nas ruas, nas estradas, dentro dos seus próprios apartamentos, casa e jardins traseiros.
A fotografia mostra os membros do governo da Abcásia (Zhiuli Shartava, Guram Gabiskiria , Mamia Alasania e Raul Eshba) e os seus guarda-costas massacrados nos arredores de Sukhumi.
Muitas pessoas tornaram-se objecto de tortura, crianças foram lentamente assassinadas à frente dos pais, e pais em frente dos seus filhos. As mulheres foram violadas, frequentemente com elementos de sadismo. Os refugiados relembram as pessoas a serem queimadas até à morte, estripadas e desmembradas ainda vivas. Casos de canibalismo ritual foram igualmente relatados (no passado, casos destes nunca haviam acontecido na região).
A província perdeu até 350 000 pessoas ou 80% da sua população original ante da guerra (quase 30 000 foram massacrados no local, outros fugiram para a Geórgia, Grécia e Rússia). Os que assistiram a programas noticiosos na televisão, relembram as ordens dadas pelos oficiais russos: “Rebyata, plennykh ne brat!” (não levem prisioneiros vivos!).
As casas e propriedades dos georgianos e gregos foram tomadas pelos apsuas, russos, chechenos e outros recém-chegados. Nenhum dos criminosos de guerra envolvido nas atrocidades referidas foi sequer julgado.
Refugiados georgianos de Abcásia a fugir do ataque separatista depois da queda de Sokhumi. Muitos morreram nas montanhas de frio e fome.
O meu coração chora pela minha pátria
Pela terra tão querida dos nossos pais
Tão longe agora se afasta
É como um sonho de criança
E quando surgem as nuvens escuras
O lado leste do céu também escurece
E então o vento leste a soprar
Enche os nuvens os meus pensamentos
Pensamentos de que os lamentos possam ser apenas
O choro dos meus compatriotas assassinados
De dentro das paredes cinzentas do cemitério
E de tumbas desconhecidas e sem marcas
Sonho que quando a minha vida termina
Nas areias da minha pátria possa repousar.
De acordo com as vítimas dos massacres: "Quando as tropas da Abcásia entraram em minha casa levaram-me, a mim e ao meu filho de sete anos, para fora. Depois de nos forçarem a ajoelhar, pegaram no meu filho e mataram-no ali mesmo à minha frente. Depois agarram-me pelo cabelo e levaram-me para o poço próximo. O soldado abcásio forçou-me a olhar para dentro do poço; vi três jovens rapazes e um par de idosas que estavam em pé, encharcados dentro de água e nus. Estavam a gritar e a chorar enquanto deitavam corpos de mortos por cima deles. Depois, lançaram uma granada e colocaram mais pessoas dentro. Fui forçada a ajoelhar-me novamente à frente dos corpos mortos. Um dos soldados pegou na sua navalha e retirou o olho de um dos mortos que está próximo de mim. Depois começou a esfregar os meus lábios e rosto com esse olho. Não consegui aguentar mais e desmaiei. Deixaram-me ali na pilha de corpos." De Relatório de Direitos Humanos, Entrevista vídeo com os refugiados.
“O meu marido Sergo foi arrastado e amarrado à árvore. Uma mulher abcásia chamada Zoya Tsvizba trouxe um tabuleiro com imenso sal. Retirou a navalha e começou a ferir o meu marido. Depois deitou sal sobre as feridas. Torturaram-no assim durante dez minutos. Depois forçaram um jovem rapaz georgiano (mataram-no depois) a escavar um buraco com o tractor. Colocaram o meu marido neste buraco e enterram-no vivo.
A única coisa que me lembro de ele dizer antes de estar coberto de pedras e areia foi: "Dali toma conta dos miúdos!” De Relatório de Direitos Humanos, Entrevista vídeo com os refugiados.
O observador militar russo, Mikhail Demianov (acusado pelos georgianos de ser consultor militar do líder separatista Ardzinba) disse à Human Rights Watch: “Quando os abcásios entraram em Gagra, vi o batalhão de Shamyl Basaev. Nunca tinha visto tal horror.
Estavam a violar e a matar toda a gente que era presa e arrastada de suas casas.
O comandante abcásio Arshba violou uma rapariga de 14 anos e depois ordenou a sua execução.
Durante todo o dia, só conseguia ouvir os gritos e choros das pessoas que estavam a ser brutalmente torturadas.
No dia seguinte, assisti a uma execução colectiva no estádio.
Instalaram metralhadoras e morteiros na parte superior e colocaram as pessoas no campo.
Demorou algumas horas a matar toda a gente.
”"Estavam a matar todos os georgianos. Todas as estradas estavam bloqueadas. E só havia uma forma de fugir, através das montanhas. Foi terrível e horrível; ninguém sabia onde acabavam e o que poderia acontecer pelo caminho. Havia crianças, mulheres e idosos. Todos caminhavam sem saber para onde iam. Todos tínhamos frio, fome e não havia água … Caminhámos o dia todo. No final do dia estávamos cansados e não conseguíamos andar mais. Descansar significava morrer, portanto caminhámos e continuamos a caminhar. Algumas mulheres ao pé de mim não aguentaram e caíram. À medida que caminhávamos vi pessoas congeladas e mortas; aparentemente tinham parado para descansar e isso foi o seu fim. O caminho não acabava nunca e parecia que poderíamos morrer a qualquer momento. Uma rapariga que caminhava ao meu lado desde Sukhumi estava grávida.
Teve o seu bebé nas montanhas. A criança morreu no terceiro dia da nossa mortífera marcha. Ela separou-se de nós e nunca mais a vimos depois disso. Finalmente chegámos a vilas dos Svanos. Só as mulheres e crianças foram autorizadas a entrar nas suas cabanas. Nesse dia, mais tarde, chegaram autocarros que nos levaram para Zugdidi." De Relatório de Direitos Humanos, Entrevista vídeo com os refugiados.
Um agradecimento muito especial a todos os nossos colaboradores:
Malcolm Linton
George Nikoladze
David Beritashvili
David Japaridze
Nato Nartkoshvili
Liana Goroian
Givi Koberidze
Luis Dingley
Dr. Andrew Andersen
Dr. Ushangi Rezhinashvili
Dr. Ramaz Mitaishvili
Irakli Gagua


